Como construir DeepTechs na era da Inteligência Artificial


Resumo executivo
A palestra em formato fireside chat, apresentada por Fredy Artur Schaible e Gustavo Zaniboni, abordou as diretrizes e os desafios centrais para a criação de startups de tecnologia profunda (DeepTech) no contexto atual da Inteligência Artificial. Os palestrantes delimitaram a diferença entre empresas de alta tecnologia tradicionais e DeepTechs, destacando que estas últimas criam a própria tecnologia fundamental ao mesmo tempo em que desenvolvem um produto ou serviço, enfrentando elevado risco científico, longos ciclos de maturidade e altas demandas de capital.
Durante o debate, foram explorados os níveis de prontidão tecnológica (TRL) e a relevância de agências de fomento como FINEP e BNDES para financiar as etapas intermediárias (TRL 3 a 7), campo em que o capital de risco privado raramente atua devido aos prazos e incertezas. Também foi problematizado o cenário brasileiro, onde há expressiva produção científica acadêmica, mas um descompasso estrutural em relação à transformação dessas pesquisas em soluções comerciais de alto impacto.
Por fim, enfatizou-se como a Inteligência Artificial atua como catalisadora no encurtamento do tempo de pesquisa e na redução do Vale da Morte tecnológico. Foram apontadas oportunidades estratégicas para o mercado brasileiro, tais como o processamento de terras raras, semicondutores dedicados e biotecnologia agrícola, reforçando a necessidade de focar em problemas reais de mercado para garantir a sustentabilidade do negócio.
Tópicos principais
- Conceituação de DeepTech: Empresa que desenvolve a tecnologia base simultaneamente ao produto, investindo mais na tecnologia do que na aplicação final.
- Escala TRL e Risco Tecnológico: Utilização do modelo da NASA (Technology Readiness Level) para mensurar riscos técnicos e distinguir incertezas científicas de desafios financeiros.
- Capital Público vs. Privado: O papel crucial de órgãos como FINEP e BNDES no financiamento dos estágios TRL 3 a 7, onde o capital de risco tradicional evita investir.
- Desconexão Academia-Mercado: Análise do gargalo brasileiro, onde cerca de 80% das pesquisas acadêmicas não se convertem em produtos por falta de alinhamento com a indústria.
- Papel da IA na Pesquisa: Uso de modelos generativos para mapear o estado da arte e acelerar simulações sem depender de palpites genéricos da ferramenta.
- Oportunidades Estratégicas Locais: Potencial não explorado no Brasil em áreas como processamento de terras raras, chips específicos para inferência e soluções para o agro.
Insights
Frases marcantes
"Uma deep tech é uma empresa que constrói uma tecnologia, Junto com o seu produto."— Gustavo Zaniboni
"Se você for gastar mais na tecnologia. Do que no produto, provavelmente, você vai ser uma deep tech."— Gustavo Zaniboni
"Toda vez que a gente vai falar, De desenvolvimento de tecnologia, Se você misturar tecnologia com produto, Provavelmente vai dar errado."— Gustavo Zaniboni
Aplicações práticas
- 1Separar a gestão e o orçamento do desenvolvimento da tecnologia base em relação ao desenvolvimento do produto comercial.
- 2Utilizar a escala TRL (Technology Readiness Level) para diagnosticar o nível real de maturidade tecnológica antes de buscar fundos de investimento privados.
- 3Aproveitar modelos de IA generativa para consolidar literatura acadêmica e entender o estado da arte de um setor de forma ágil.
- 4Buscar editais e fomento público (FINEP, FAPESP, BNDES) para cobrir o risco tecnológico nas fases de bancada e prototipagem (TRL 3 a 7).
- 5Identificar gargalos industriais ou de recursos naturais específicos do ecossistema local (ex: processamento de minérios, agro) para orientar o foco do P&D.
Conclusão
A construção de DeepTechs na era da inteligência artificial exige rigor no gerenciamento do risco tecnológico e paciência com ciclos de desenvolvimento mais extensos. Ao conectar a pesquisa científica a problemas de mercado reais e usufruir de ferramentas modernas de IA, founders brasileiros podem transformar o potencial acadêmico do país em negócios de impacto global.