AgroTech 2035: As Tecnologias que vão Multiplicar a Produção Mundial


Resumo executivo
A sessão abre com a introdução do ecossistema de DeepTechs apresentada por Matheus Jesus (Moa Ventures), ressaltando as especificidades e gargalos de alavancar startups de hardware e ciência aplicada. Matheus aborda a necessidade de montar equipes complementares (com perfis focados em produto, vendas complexas e experiência do cliente), além de destacar a importância de superar o longo 'vale da morte' por meio de governança, acesso a editais de fomento não dilutivos e conexões de mercado.
Na sequência, Fabiane Kuhn (Rax Tecnologia Agrícola) e Diego Kurtz (PECsmart) debatem as tecnologias que estão redefinindo o agronegócio rumo a 2035. Fabiane apresenta os sensores automatizados de umidade do solo para manejo preciso da irrigação diante dos desafios climáticos, enquanto Diego demonstra soluções de IoT, visão computacional e bioacústica aplicadas à pecuária de precisão e gestão de silos de grãos e ração, mostrando a conversão de dados de campo em eficiência financeira.
No bloco final de debate e perguntas, os palestrantes exploram as estratégias para escalar empresas de hardware no campo. As discussões enfatizam a importância dos early adopters para validar soluções antes de abordar grandes cooperativas, os caminhos para contornar custos de produção de hardware e a urgência de entregar usabilidade extrema aos produtores — integrando dados diretamente a ERPs e canais simples de comunicação, como o WhatsApp.
Tópicos principais
- Pilares para escalar DeepTechs: Estruturação focada em acesso a mercado, captação de recursos via fomento e governança corporativa.
- Manejo inteligente de irrigação (Rax): Uso de sensores solares automatizados no solo para tomada de decisão diante da variabilidade climática.
- Gestão e volumetria de silos (PECsmart): Sensores LiDAR reduzindo erros de medição de estoques de 8% (manual) para 1,8%.
- Visão computacional e bioacústica: Aplicação de inteligência artificial para pesagem, contagem e monitoramento respiratório/sanitário de suínos.
- O Vale da Morte em Hardware: Ciclos longos de R&D e altos custos operacionais que exigem fontes de capital não dilutivo.
- Estratégia com Early Adopters: Início de validações com clientes menores para iterar rápido sem expor a marca a grandes players de forma prematura.
- Usabilidade e Integração no Agro: Necessidade de unificar ecossistemas de dados em dashboards financeiros e ferramentas acessíveis como o WhatsApp.
Insights
Frases marcantes
"A tecnologia no agro não é o futuro. A tecnologia do agro é o presente, e se não for, o nosso agro vai ficar no passado."— Fabiane Kuhn
"O vale da morte de uma Deep Tech é muito diferente de um vale da morte de um SaaS."— Diego Kurtz
"Usabilidade ser tão fácil quanto um WhatsApp é pré-requisito."— Diego Kurtz
Aplicações práticas
- 1Montar times fundadores complementares que equilibrem a liderança técnica/científica com profissionais dedicados a vendas B2B complexas e operação.
- 2Recorrer a editais de fomento e subvenção econômica (como FINEP e Tecnova) para financiar o desenvolvimento e certificação de hardwares durante a fase pré-comercial.
- 3Adaptar os modelos de cobrança ao fluxo de caixa do agronegócio, utilizando precificação por safra, lote ou parcerias de crédito e comodato.
- 4Iniciar testes e validações comerciais por meio de produtores menores (early adopters), garantindo flexibilidade e velocidade de ajuste de produto.
- 5Desenvolver integrações diretas entre sensores IoT e os ERPs ou canais de comunicação diária (ex.: WhatsApp) utilizados pelo tomador de decisão.
Conclusão
A trajetória das tecnologias aplicadas ao campo até 2035 mostra que o diferencial não estará na criação de dados isolados, mas na capacidade de integrar hardware confiável a inteligências que auxiliem na decisão financeira em tempo real. A sustentabilidade das Agrotechs de DeepTech depende de usabilidade simplificada e modelos de negócios adaptados à realidade do produtor rural.