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IA· Painel

LLMs Made in Brazil: Dá para Competir com as Big Techs, ou é Melhor Nem Tentar?

26 de agosto · 17:00–17:35Palco 4
Felipe Iszlaji
Felipe Iszlaji
CEO · Clarice AI
Marcellus Amadeus
Marcellus Amadeus
Founder · Amadeus AI
Andrei Golfeto
Andrei Golfeto
Commnunity Manager · NVIDIA
O Brasil tem modelos de linguagem próprios, e eles estão sendo usados em produção. Mas num mercado dominado por OpenAI, Google e Anthropic, qual é o espaço real para uma startup brasileira de LLM crescer, captar e sobreviver além do hype? Este painel coloca frente a frente os founders que decidiram apostar nessa corrida para debater sem rodeios: onde o modelo nacional ganha do estrangeiro, onde perde, e por que construir um LLM no Brasil pode ser uma vantagem competitiva, ou uma armadilha cara.
Sumário executivo

Resumo executivo

O painel abordou a viabilidade e os caminhos estratégicos para o desenvolvimento de modelos de linguagem (LLMs) no Brasil frente aos investimentos astronômicos das Big Techs globais. Com mediação de Andrei Golfeto (NVIDIA), os especialistas Marcellus Amadeus e Felipe Iszlaji (Clarice AI) defenderam que tentar competir frontalmente no desenvolvimento de modelos genéricos de grande escala é financeiramente inviável. Contudo, existe uma oportunidade gigantesca no desenvolvimento de soluções especializadas e adaptadas ao contexto nacional.

Marcellus Amadeus detalhou que a criação de modelos proprietários se justifica por quatro pilares: redução de custos em escala, precisão contextual brasileira, baixa latência e requisitos estritos de governança e soberania de dados. Ele ressaltou que a estratégia mais inteligente não envolve recriar modelos do zero, mas sim aproveitar bases abertas internacionais e especializá-las profundamente utilizando dados proprietários e curadoria de especialistas humanos.

Felipe Iszlaji ilustrou a desproporção de recursos ao comparar os trilhões de dólares investidos pelas Big Techs em poder computacional com o orçamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Ele defendeu a 'estratégia dos 300 de Esparta', na qual startups locais devem usar modelos menores, mais eficientes e altamente especializados para solucionar problemas práticos, exemplificando com o trabalho da Clarice AI em criar uma infraestrutura de revisão e humanização de textos em português.

Tópicos principais

  • Histórico de NLP no Brasil: O país possui tradição em pesquisas de linguagem, desde modelos como o BERTimbau até iniciativas recentes corporativas e governamentais.
  • Os 4 Pilares para LLMs Proprietárias: Adoção local motivada por custo, precisão contextual, baixa latência e soberania/governança de dados.
  • Desproporção de Investimento em Computação: Os bilhões aplicados por Big Techs inviabilizam a competição direta do Brasil na infraestrutura de base.
  • Estratégia de Especialização ('300 de Esparta'): Foco em modelos menores, baratos e treinados em niched data em vez de LLMs genéricas gigantes.
  • Human-in-the-loop para Refinamento: Uso de validações humanas orgânicas para criar datasets de alta qualidade e treinar modelos em português.
  • Desmistificação do 'AI Native': Defesa de que a tecnologia de IA é apenas um meio e que o foco primário deve ser a resolução de problemas reais de negócio.

Insights

Falar o idioma português é diferente de compreender a realidade cultural, social e de negócios do Brasil, demanda que exige precisão e especialistas locais.
Recriar LLMs do zero é ineficiente; a vantagem competitiva vem de especializar modelos base internacionais com dados proprietários que não estão na internet.
O orçamento plurianual de inteligência artificial do governo brasileiro (PBIA) equivale a apenas cerca de dois dias do investimento anual em infraestrutura das grandes Big Techs.
A interação contínua entre usuários e ferramentas de escrita produz pares de dados ('texto ruim' vs. 'texto corrigido') fundamentais para construir infraestruturas linguísticas superiores.

Frases marcantes

"falar português e ser brasileiro são coisas diferentes."Marcellus Amadeus
"Não vale a pena treinar um modelo do zero."Marcellus Amadeus
"A tecnologia não importa. O que importa é o negócio."Marcellus Amadeus
"Então, assim, não há uma competição. Porque a gente nem está jogando o mesmo jogo."Felipe Iszlaji

Aplicações práticas

  1. 1Aproveitar modelos de código aberto internacionais pré-treinados e investir exclusivamente no seu ajuste fino (fine-tuning) com dados locais.
  2. 2Construir ativamente bases de dados proprietárias validadas por especialistas para criar um diferencial de precisão inacessível às Big Techs.
  3. 3Implementar infraestrutura de IA local ou on-premise em setores altamente regulados para atender requisitos legais de governança e latência.
  4. 4Priorizar a resolução de dores comerciais concretas e sustentáveis financeira e operacionalmente em vez de focar no rótulo de 'AI Native'.
  5. 5Adicionar camadas de pós-processamento e revisão humana aos outputs de IAs generativas para eliminar vícios de linguagem e melhorar a comunicação.

Conclusão

Competir diretamente com os gigantes globais de tecnologia na infraestrutura de modelos genéricos é inviável para o cenário brasileiro. A soberania e o sucesso das soluções locais de IA dependem da especialização em nichos de mercado, do uso inteligente de dados proprietários e do foco na resolução de problemas reais de negócio.

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Sumário gerado e editado pela curadoria Sebrae Startups.
Publicado em 26 de agosto de 2026