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DeepTech· Fireside Chat

Como IA está transformando a indústria trilionária do petróleo

26 de agosto · 15:10–15:45Palco 7
Ana Paula Griiettner Fernandes
Ana Paula Griiettner Fernandes
CPO · Ubivis
Raquel Mattos Cavalcanti
Raquel Mattos Cavalcanti
R&D and Innovation Manager · Repsol Sinopec
A transformação digital está redefinindo uma das maiores indústrias do mundo. Ana Paula Griettner Fernandes, CPO da UBIVIS e especialista em soluções de Indústria 4.0 para grandes operações industriais, e Raquel Mattos Cavalcanti, R&D and Innovation Manager da Repsol Sinopec Brasil, uma das maiores investidoras em inovação do setor energético, compartilham como Inteligência Artificial, visão computacional, automação e análise de dados estão revolucionando a cadeia de Oil & Gas. O painel apresentará oportunidades concretas para startups, ICTs, pesquisadores, investidores e empresas que desejam atuar em um mercado altamente tecnológico e intensivo em inovação.
Sumário executivo

Resumo executivo

O painel abordou como a inteligência artificial (IA) está migrando do estágio experimental para se tornar um componente invisível, porém crítico, nas decisões operacionais da indústria trilionária de óleo e gás. Com base no contexto do grupo Repsol Sinopec Brasil e na vivência de startups, destacou-se que a IA não é uma 'bala de prata', devendo ser implementada apenas quando orientada à resolução de dores reais e devidamente alinhada à estratégia corporativa.

Durante a conversa, foram apresentados casos práticos de aplicação de IA, como a otimização de parâmetros operacionais, ferramentas para aceleração da interpretação geológica (StratVision e StratGPT) e plataformas para comparação automatizada de alternativas de projetos offshore (FLOCO). As palestrantes também destacaram a regulamentação da ANP no Brasil, que obriga a destinação de 1% do faturamento bruto do setor para P&D (movimentando cerca de R$ 4 bilhões), impulsionando a inovação aberta e a transição energética.

Por fim, foram analisados os motivos do alto índice de mortandade em Provas de Conceito (POCs). Entre os principais gargalos identificados estão o desalinhamento de métricas entre corporações e startups, o apego excessivo às soluções em detrimento da causa raiz, entraves de segurança da informação e TI, e a falta de patrocinadores internos (sponsors) para sustentar a escala e a adoção contínua da tecnologia.

Tópicos principais

  • Foco no problema e alinhamento estratégico: A aplicação de IA deve sempre começar pelo entendimento do problema de negócio e não pela tecnologia em si.
  • Obrigatoriedade regulatória e recursos de P&D: A cláusula da ANP de 1% do faturamento bruto destina cerca de R$ 4 bilhões a P&D no Brasil, fomentando a inovação aberta.
  • Aplicações em geologia e engenharia offshore: Projetos como StratVision e plataforma FLOCO exemplificam ganhos de eficiência em interpretações geológicas e configurações de campo.
  • Gargalos na execução de Provas de Conceito (POCs): Falta de clareza nos objetivos, indisponibilidade de dados e descompasso de expectativas levam ao fracasso de POCs.
  • Importância dos patrocinadores internos (sponsors): Ter defensores da solução em múltiplos setores da empresa contratante é essencial para viabilizar projetos.
  • Superação do apego à solução por startups: Startups precisam ter flexibilidade para investigar causas raízes de problemas industriais, ajustando rotas tecnológicas quando necessário.

Insights

A inteligência artificial gera seu maior valor quando se torna invisível para o usuário final e extremamente relevante para a tomada de decisão.
Nem todo problema industrial é um problema de IA; muitas vezes o trabalho com cientistas de dados revela que a causa raiz é operacional ou documental.
Otimizar parâmetros de disponibilidade operacional pode gerar efeitos colaterais (como aumento no consumo de energia), exigindo análises holísticas de ROI.
O ecossistema de P&D em óleo e gás evoluiu de investimentos acadêmicos em TRL baixo para projetos de inovação aberta com foco em impacto e TRL mais elevado.

Frases marcantes

"Inteligência artificial ou qualquer tipo de tecnologia Nunca vai ser a bala de prata Para nenhum dos problemas na empresa."Raquel Mattos Cavalcanti
"A discussão nunca começa pela IA, ela começa pelo problema."Raquel Mattos Cavalcanti
"E a segunda parte da pergunta é, todo problema industrial, ele é um problema de IA? E eu falo que não, não necessariamente um problema vai ser resolvido com uma solução de A."Ana Paula Griiettner Fernandes

Aplicações práticas

  1. 1Mapear e compreender profundamente o problema operacional e suas causas raízes antes de propor ou desenvolver algoritmos de IA.
  2. 2Definir e alinhar explicitamente em contrato as métricas de sucesso das POCs segundo a régua de avaliação da empresa contratante.
  3. 3Considerar rigorosamente os prazos e entraves das áreas de TI e segurança da informação ao elaborar o cronograma de testes de soluções.
  4. 4Identificar e cultivar 'sponsors' ou patrocinadores em diferentes setores (operação, TI, manutenção) da grande empresa para viabilizar a adoção.
  5. 5Manter flexibilidade para ajustar abordagens técnicas e rotas de projeto caso o acesso aos dados originais seja inviável ou insuficiente.

Conclusão

A transformação promovida pela inteligência artificial na indústria de óleo e gás não depende apenas do avanço dos modelos, mas do rigor na definição dos problemas e no engajamento entre corporações e startups. Com amplo volume de recursos de P&D impulsionados pela regulamentação, a consolidação da tecnologia exige flexibilidade técnica, superação de barreiras de TI e foco contínuo na geração de valor real para a operação.

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Sumário gerado e editado pela curadoria Sebrae Startups.
Publicado em 26 de agosto de 2026