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HealthTech· Palestra

Follow the Money: onde o capital dos fundos globais está indo no momento

27 de agosto · 16:05–16:40Palco 3
Rafael Barbosa
Rafael Barbosa
Partner · Apus Capital / 645 Ventures
Rafael Kellermann, após anos à frente da bionexo Tasy, hoje lidera a firma de investimentos ApusCapital e é Venture Partner no fundo early-stage 645 Ventures, baseado em NY. Ele mapeia aonde os fundos globais e nacionais estão apostando suas fichas e onde residem as maiores oportunidades para fundadores em saúde.
Sumário executivo

Resumo executivo

O palestrante Rafael Barbosa analisa a atual dinâmica do capital de risco global, destacando o contraste entre a grande quantidade de dinheiro disponível no mercado e a extrema dificuldade enfrentada pelas startups para captá-lo. Ele aponta uma forte concentração do capital em empresas de Inteligência Artificial, ressaltando que companhias de modelos de fronteira, como OpenAI e Anthropic, abocanham uma porcentagem massiva dos investimentos mundiais no setor de tecnologia.

Barbosa detalha como essa concentração afeta as fases iniciais de captação e reduz a criação de novos fundos de Venture Capital, gerando um momento de menor liquidez geral no mercado. No Brasil e na América Latina, onde chega apenas cerca de 1% desse montante global, o ecossistema ainda se concentra fortemente no estágio inicial (early stage), embora aportes recentes de gestoras globais renomadas sinalizem um interesse estratégico renovado pela região.

No setor de saúde digital (HealthTech), o palestrante destaca o crescimento de soluções voltadas à saúde mental, obesidade e automação do ciclo de receita hospitalar. Para construir negócios sustentáveis nessa nova era, ele enfatiza a necessidade de criar fossos defensivos (moats) reais — como dados proprietários, integração profunda em fluxos de trabalho e conformidade regulatória —, alertando contra modelos rasos de simples revenda de inteligência artificial.

Tópicos principais

  • Concentração de capital em IA: Cerca de 86% dos investimentos no primeiro semestre foram para IA, concentrados em poucas empresas de modelos de fronteira.
  • Crise de liquidez e baixos retornos: Os fundos da safra de 2021 devolveram uma fração mínima do capital aos investidores, reduzindo novos fundos e aumentando a exigência dos cheques.
  • Cenário do capital na América Latina: A América Latina recebe apenas ~1% do investimento global, com foco concentrado em aportes no estágio inicial (early stage).
  • Tendências globais em HealthTechs: Áreas como saúde mental, tratamento de obesidade (GLP-1) e soluções diretas ao consumidor (B2C) lideram a captação de recursos nos EUA.
  • M&As no Ciclo da Receita Hospitalar: Aplicações de faturamento e conciliação entre prestadores e operadoras continuam liderando as saídas e aquisições no setor de saúde.
  • Fossos defensivos (Moats) em IA: A defensibilidade de startups exige dados proprietários, integração nos fluxos de trabalho, alta velocidade de distribuição e compliance regulatório.

Insights

A velocidade de ganho de escala acelerou drasticamente com a IA, permitindo que startups atinjam marcas de 100 milhões de dólares em receita recorrente em poucos meses e operem com equipes significativamente mais enxutas (alto ARR por funcionário).
Aplicações rasas sobre IA (apelidadas de 'creme brûlée' ou revenda de LLM) possuem alto risco de obsolescência rápida à medida que os próprios modelos de base incorporam novas funcionalidades.
Diferente do mercado americano, onde plataformas B2C em saúde atraem grandes volumes de capital, o ecossistema brasileiro de HealthTechs ainda é tímido e pouco explorado no modelo direto ao consumidor.
As saídas mais frequentes e rentáveis em saúde ocorrem por meio de aquisições operacionais de bastidor (como ciclo de receita hospitalar) em vez de listagens públicas (IPOs) de soluções clínicas avançadas.

Frases marcantes

"Tem muito dinheiro disponível. Agora, nunca foi tão difícil conseguir."Rafael Barbosa
"Namoro de adolescente. Os que menos precisam é o que a gente mais quer."Rafael Barbosa

Aplicações práticas

  1. 1Questionar a real necessidade de captação externa antes de buscar investidores, priorizando a geração de caixa própria e a disciplina financeira.
  2. 2Deslocar o foco do desenvolvimento técnico genérico para a criação de fossos defensivos reais: dados proprietários únicos, integrações no fluxo de trabalho e compliance rigoroso.
  3. 3Evitar modelos baseados em 'camadas finas de IA' ou simples revenda de LLM sem agregação de valor proprietário ao segmento atendido.
  4. 4Acompanhar a métrica de ARR por funcionário para garantir que a automação e as ferramentas de IA traduzam-se em ganho real de margem operacional e eficiência de time.
  5. 5Levar soluções B2B para validação de mercado o mais rápido possível para acelerar o ajuste do produto (product-market fit) e construir barreiras de distribuição.

Conclusão

O mercado global de Venture Capital vive um momento de alta exigência e seletividade, no qual surfar ondas de otimismo não é mais suficiente. Para startups brasileiras de saúde, o caminho para atração de capital e sustentabilidade exige a construção de produtos com eficiência operacional comprovada, forte integração com a rotina dos clientes e defesas estruturais consolidadas.

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Sumário gerado e editado pela curadoria Sebrae Startups.
Publicado em 27 de agosto de 2026