Enquanto startups de software escalam rápido, deeptech aposta décadas antes de lucrar



Resumo executivo
O painel abordou os desafios e as particularidades da jornada de desenvolvimento de startups de deep tech e biotecnologia, marcadas por ciclos de desenvolvimento longos, altos custos e severas barreiras regulatórias. Sob mediação de Betina Ramos (ACAT / NanoVetores), as palestrantes Maria de Lourdes Magalhães (Cienco Biotec) e Fernanda Berti (JBS Biotec) compartilharam suas perspectivas sobre como transformar a ciência acadêmica e corporativa em soluções com real impacto econômico e social.
Um dos pontos centrais debatidos foi a virada de mindset necessária para o cientista que se torna empreendedor. As painelistas destacaram que uma tecnologia potente não representa o fim do caminho, mas apenas o ponto de partida para a criação de um negócio. Para superar o temido 'Vale da Morte' nas deep techs, é indispensável integrar áreas de negócios, assuntos regulatórios e engenharia, garantindo a escalabilidade e o alinhamento das soluções com os tempos do mercado e das agências reguladoras.
Por fim, enfatizou-se o valor das parcerias entre startups de base científica e grandes corporações, a necessidade de formar equipes multidisciplinares e a relevância de aproveitar incentivos de fomento e patentes. Destacou-se também que o avanço de tecnologias transversais, como a inteligência artificial, vem reduzindo os riscos e acelerando o tempo de chegada das deep techs ao mercado.
Tópicos principais
- Mindset do cientista-empreendedor: A tecnologia avançada é o início da jornada empreendedora, e não o produto final.
- Conceito prático de inovação: A ciência só se converte em inovação quando resolve uma dor real pela qual o mercado se dispõe a pagar.
- Superação do Vale da Morte: O insucesso de deep techs decorre de escassez financeira aliada a desafios de escala, validação técnica e atrasos regulatórios.
- Parcerias entre startups e corporações: A colaboração com grandes empresas acelera o acesso ao mercado, a escala industrial e a validação regulatória.
- Formação de times multidisciplinares: Startups de deep tech não escalam apenas com cientistas; exigem profissionais de gestão, regulatório e mercado.
- Redução de riscos com novas tecnologias: O uso de Inteligência Artificial e análise de dados está encurtando o tempo de validação de deep techs.
Insights
Frases marcantes
"uma coisa é você achar que a tecnologia é o fim do caminho E outra coisa é você achar que a tecnologia é o início de um novo caminho, Até ele realmente gerar uma solução."— Maria de Lourdes Magalhães
"A gente só faz inovação, Quando a gente resolve a dor de alguém E alguém paga por aquela solução."— Fernanda Berti
"networking é diferente de um relacionamento de confiança."— Maria de Lourdes Magalhães
Aplicações práticas
- 1Mapear e conversar com o mercado consumidor desde o início da pesquisa científica para desenvolver soluções direcionadas a dores reais.
- 2Realizar busca prévia nos bancos de patentes antes de iniciar pesquisas aplicadas para evitar a duplicação de tecnologias já protegidas.
- 3Montar equipes com inteligências complementares, unindo cientistas a especialistas em regulatório, engenharia de escala e gestão de negócios.
- 4Buscar parcerias com grandes corporações para validar a aplicação industrial da tecnologia e acelerar os processos de entrada no mercado.
- 5Aproveitar editais de fomento públicos e programas direcionados para financiar as etapas de maior risco tecnológico.
Conclusão
O painel evidenciou o potencial transformador da biotecnologia e das deep techs brasileiras no cenário global. A integração entre ciência de ponta, visão de mercado, equipes multidisciplinares e pontes sólidas com corporações e órgãos reguladores é o caminho para vencer os longos ciclos do setor e transformar pesquisas em valor econômico e social.