O que os VCs estão olhando em 2026



Resumo executivo
No painel "O que os VCs estão olhando em 2026", os investidores Rodrigo Baer, José Pedro Cacheado e Thiago Maluf discutiram o momento atual e as tendências do ecossistema de venture capital no Brasil. Diante de um mercado mais seletivo e com menor volume de transações em comparação aos picos históricos, os fundos reduziram o ritmo de aportes e passaram a exigir métricas de eficiência mais rígidas, resiliência e alta convicção por parte dos fundadores.
Um dos pontos centrais da discussão foi a maturidade do mercado brasileiro, que hoje conta com um acervo inédito de talentos treinados pela geração anterior de unicórnios. Contudo, os palestrantes apontaram o gargalo estrutural de saídas (exits) expressivas no país, o que exige visão crítica sobre estratégias de expansão geográfica, priorizando mercados globais relevantes em detrimento de movimentos regionais de pouca escala liquida.
Por fim, abordou-se o impacto da Inteligência Artificial, observando que, embora a venda de projetos-piloto para o mercado enterprise esteja em alta, o grande desafio reside na transição dessas soluções para a produção massiva. Os investidores alertaram contra a prática de "AI washing" e criticaram a sustentabilidade de modelos baseados primariamente em serviços manuais (FDI), ressaltando que a real diferenciação virá da capacidade técnica e do acúmulo defensável de dados.
Tópicos principais
- Filtro no perfil de fundadores: Saída do empreendedor oportunista e valorização de founders resilientes, com alta convicção e conhecimento profundo do setor.
- Rigor do mercado e volume de negócios: Redução expressiva no número de aportes e maior exigência por eficiência e qualidade de crescimento.
- Desafio dos exits no ecossistema: Escassez de saídas bilionárias no Brasil, forçando a busca por mercados globais mais líquidos.
- Formação de talent pool qualificado: Surgimento de uma geração de profissionais capacitados pela experiência em startups e unicórnios anteriores.
- IA do piloto para a produção: Dificuldade de transformar experimentos em grandes empresas em sistemas de produção seguros, escaláveis e eficientes.
- Crítica ao AI Washing e ao modelo FDI: Alerta sobre o uso superficial de IA e a insustentabilidade de precificar software como salário no longo prazo.
Insights
Frases marcantes
"83% dos exits de venture capital na América Latina acontecem no Brasil."— Rodrigo Baer
"A gente treinou algumas centenas de milhares de pessoas. Em como montar e escalar uma startup."— Rodrigo Baer
Aplicações práticas
- 1Montar times executivos trazendo profissionais que já vivenciaram e aprenderam na escala de startups anteriores.
- 2Estruturar soluções de IA focadas na superação dos gargalos de segurança, governança e custos para permitir a transição do piloto para a produção corporativa.
- 3Evitar a dependência contínua de modelos de serviços (FDI), utilizando-os apenas temporariamente para aprender e transformar o serviço em software escalável.
- 4Analisar com rigor o tamanho real e a liquidez do mercado-alvo antes de executar planos de expansão internacional.
- 5Para corporações que desejam investir em inovação, preferir a alocação em fundos especializados em vez de estruturas internas de CVC com governança engessada.
Conclusão
O painel sinaliza um ciclo de Venture Capital fundamentado em maturidade e pragmatismo para 2026. Para atrair investimento, os empreendedores precisam ir além do hype tecnológico, demonstrando resiliência, capacidade de execução técnica robusta e clareza sobre como construir negócios defensáveis com potencial de escala global.