Futuro do Software B2B em tempos de IA


Resumo executivo
O fireside chat reuniu Daniele Amaro (PayTrack) e Gustavo Pinheiro (Riverwood Capital) no Founder Stage para discutir a evolução e o futuro dos softwares B2B diante do avanço massivo da inteligência artificial. Os palestrantes abordaram como a tecnologia está transformando a arquitetura de produtos, a dinâmica de investimentos e as exigências dos clientes enterprise.
Daniele detalhou a transformação cultural da PayTrack, transicionando o uso de IA de simples ferramenta para uma camada global de produtividade. A estratégia envolveu ampla experimentação dos times e a reformulação do perfil de contratação — migrando da execução operacional para capacidade de julgamento e criação. No produto, a IA viabilizou a auditoria automatizada de 100% das despesas corporativas, mantendo a prudência necessária em dados financeiros críticos.
Sob a ótica de venture capital e private equity, Gustavo destacou que a inteligência artificial não eliminará o software B2B, mas ampliará o mercado de atuação (TAM) e acelerará a criação de novos fluxos de trabalho. Os palestrantes concluíram que os compradores enterprise e CFOs já ultrapassaram a fase do hype, exigindo hoje resultados mensuráveis de produtividade, eficiência e redução de riscos.
Tópicos principais
- Transformação cultural e produtividade: A IA deve ser encarada como uma camada ampla de eficiência operacional, e não apenas como uma ferramenta pontual.
- Evolução do perfil de contratação: A experiência operacional perde espaço para habilidades analíticas, senso de julgamento e capacidade de criar com IA.
- Automação e auditoria no produto: A IA permite auditar 100% das notas e despesas corporativas, eliminando a dependência de validações manuais diárias.
- Limitações e confiança em Fintechs: No setor financeiro, a exatidão absoluta é inegociável, exigindo uso prudente da IA generativa em processos de transação.
- Mudança no comportamento do comprador: CFOs e decisores B2B ignoram discursos genéricos sobre tecnologia e focam no ROI, horas salvas e mitigação de riscos.
- Diferenciais competitivos (Moats): Dados proprietários, distribuição consolidada e workflows profundos diferenciam soluções escaláveis de simples wrappers de IA.
Insights
Frases marcantes
"Essa mudança cultural, a gente deixou de ver a IA como uma ferramenta, efetivamente. E passando a olhar para isso como uma camada geral de produtividade."— Daniele Amaro
"a experiência operacional deixou de ter força."— Daniele Amaro
"Em uma fintech, confiança é produto."— Daniele Amaro
Aplicações práticas
- 1Liberar o uso de ferramentas de IA pelas áreas da empresa durante um período inicial para encorajar a experimentação antes de normatizar a segurança de dados.
- 2Implementar programas internos e desafios para colher e premiar projetos de colaboradores que apliquem IA em ganhos de produtividade e melhorias no produto.
- 3Atualizar os critérios de recrutamento para avaliar o senso crítico, capacidade de julgamento e facilidade do candidato em formatar a IA para trabalhar a seu favor.
- 4Reestruturar a abordagem comercial e o storytelling de vendas B2B para focar estritamente no valor mensurável, tempo economizado e redução de riscos para o CFO.
- 5Investir na acumulação de dados proprietários e no fortalecimento dos canais de distribuição para construir proteções defensáveis contra concorrentes nativos em IA.
Conclusão
O futuro do software B2B exige uma adaptação contínua e paranoica, onde as ferramentas evoluem de interfaces de trabalho passivas para agentes autônomos. As empresas que sobressairão no mercado serão aquelas capazes de aliar dados proprietários e distribuição consolidada a entregas claras de eficiência e redução de custos para os seus clientes.