IA na Saúde: Revolução ou Ilusão?



Resumo executivo
O painel reuniu a visão de uma startup nativa de inteligência artificial, a Marisa Care, e de uma gigante de tecnologia consolidada, a TOTVS, sob mediação da ACATE. Durante a abertura, Walmoli Gerber Jr. destacou o projeto "ACATE AI First", voltado a capacitar empreendedores e integrar inteligência artificial a 10 mil empresas em Santa Catarina nos próximos cinco anos, enfatizando que a IA deve ser usada para potencializar colaboradores em vez de substituí-los.
Eduardo Morelli apresentou as soluções da Marisa Care para o ecossistema de saúde, que incluem agentes autônomos para atendimento e agendamento de consultas, assistentes virtuais clínicos (copilots) para médicos e uma camada de harmonização de dados hospitalares. Para exemplificar a agilidade e baixa latência das ferramentas agênticas, o executivo realizou uma simulação ao vivo de agendamento por voz. Ele explicou que a startup anonimiza os dados hospitalares, retendo apenas o aprendizado clínico e comportamental sem expor informações pessoais dos pacientes.
Por sua vez, Arnaldo Monfredini expôs os desafios de adotar IA em um ERP tradicional como o da TOTVS, onde grande parte do desenvolvimento é consumida por conformidades fiscais e regulatórias. Ele defendeu a coexistência entre a base estável dos sistemas legados e as camadas agênticas ágeis fornecidas por startups. Ao final, discutiu-se a inviabilidade do Open Health no curto prazo no Brasil e enfatizou-se a importância de ter dados estruturados e governança antes de aplicar soluções de IA na saúde.
Tópicos principais
- Projeto ACATE AI First: Iniciativa para integrar IA em 10 mil empresas de SC sem foco em demissões.
- Agentes de IA e Voz na Saúde: Automação do atendimento e agendamento de consultas com baixa latência.
- Copilot Clínico: Ferramenta de auxílio médico para reduzir tempo de consulta e garantir protocolos.
- Harmonização e Privacidade de Dados: Separação entre dados clínicos transversais e dados pessoais do paciente.
- Coexistência entre ERP e Camada Agêntica: Parceria entre sistemas tradicionais legados e startups ágeis de IA.
- Acrônimo DEPENDE: Pré-requisitos para IA na saúde (Dados, Prontuário, Normas, Determinação).
Insights
Frases marcantes
"Eu não acredito no monolito, eu não acredito no sistema único, No sistema unificado ou uma empresa resolvendo todos os problemas."— Arnaldo Monfredini
"A gente não está cuidando só de dados, A gente está cuidando de pessoas."— Eduardo Lacerda Morelli
Aplicações práticas
- 1Implementar acompanhamento in loco por tempo indeterminado durante a entrada em produção de IAs agênticas para calibrar o modelo e evitar cancelamentos precoces.
- 2Estruturar os prontuários eletrônicos e a base de dados corporativa antes de investir em soluções avançadas de inteligência artificial.
- 3Anonimizar rigorosamente as informações pessoais dos pacientes, separando o identificador do indivíduo da inteligência preditiva médica.
- 4Integrar soluções pontuais de startups via APIs ao ERP principal em vez de tentar customizar o core burocrático/fiscal do sistema legado.
Conclusão
A aplicação de inteligência artificial na saúde é uma revolução em andamento, mas que depende estritamente da maturidade dos dados e da governança das instituições. O sucesso do setor passa pela colaboração estratégica entre a estabilidade dos ERPs tradicionais e a flexibilidade das startups de IA.