Conectando Ecossistemas: O Futuro da Cadeia Logística na Prática



Resumo executivo
O painel "Conectando Ecossistemas: O Futuro da Cadeia Logística na Prática", conduzido por Adilson Silveira e Fabrício Baggio (Multilog), abordou as transformações e os gargalos do setor logístico frente às novas exigências do mercado. O debate destacou o paradoxo enfrentado pelas empresas: o consumidor exige entregas cada vez mais ágeis e de qualidade, mas busca constantemente por frete gratuito, gerando grande estresse estrutural na cadeia de suprimentos.
Fabrício Baggio apresentou a jornada de transformação digital da Multilog, maior operadora alfandegada da América Latina. A companhia migrou de um modelo operacional analógico para o uso de inteligência artificial, torres de controle e Data Lake. Com uma estratégia de inovação dividida em 70% de melhorias incrementais e 30% disruptivas, a Multilog demonstrou como a gestão estratégica de dados permitiu aumentar o faturamento de R$ 800 milhões para R$ 1,5 bilhão, mesmo reduzindo o quadro funcional, com a meta de atingir R$ 3 bilhões em três anos.
Por fim, discutiu-se a desconexão entre a Indústria 4.0 e a contratante de transportes, que muitas vezes escolhe operadores com base apenas no menor preço, comprometendo o risco e a eficiência da cadeia. Os palestrantes defenderam a integração contínua de ecossistemas entre grandes empresas, startups e caminhoneiros agregados, sustentada por uma cultura forte focada em colaboradores e clientes.
Tópicos principais
- Paradoxo do frete grátis e agilidade: A exigência do consumidor por entregas ultrarrápidas sem custo adicional pressiona os margens e a operação de toda a cadeia logística.
- Inovação prática vs. inovação de LinkedIn: O foco da inovação logística deve ser resolver dores reais do chão de fábrica e da operação diária, e não focar em experimentos isolados.
- Modelo de inovação 70/30: Alocação estratégica de esforços dividida em 70% para melhorias incrementais contínuas e 30% para iniciativas disruptivas de alto impacto.
- Uso de Data Lake e Torre de Controle: Integração de dados de múltiplos subsistemas para gerar previsibilidade, otimizar processos operacionais e alavancar o faturamento.
- Gargalo entre Indústria 4.0 e Transporte 1.0: O risco de indústrias altamente automatizadas contratarem frete focado apenas no menor preço sem considerar a maturidade tecnológica.
- Plataformas amigáveis para agregados: Desenvolvimento de ferramentas intuitivas para atrair, cadastrar e rentabilizar motoristas terceirizados, sem a necessidade de frota própria.
- Estratégia dos Três Cs: Foco contínuo em Colaborador, Cliente e Cultura como direcionador para sustentar a inovação e o crescimento financeiro do negócio.
Insights
Frases marcantes
"Inovação é sobreviver no mercado de logística."— Fabrício Baggio
"Inovar nada mais é do que fazer mais leve, mais barato e melhor."— Fabrício Baggio
"O que a vida espera da gente é coragem."— Adilson Silveira
Aplicações práticas
- 1Equilibrar os investimentos de inovação em um modelo 70% incremental (melhorias de processos existentes) e 30% disruptivo (novas soluções ou ferramentas).
- 2Consolidar dados operacionais descentralizados em um Data Lake para habilitar o uso de Inteligência Artificial e torres de controle operacionais.
- 3Desenvolver softwares e aplicativos com foco em extrema facilidade de uso para garantir adesão rápida de parceiros e motoristas agregados.
- 4Avaliar fornecedores logísticos pela capacidade tecnológica e saúde financeira, eliminando o critério exclusivo de menor preço no processo de compras.
- 5Verificar se o objetivo e o formato das reuniões corporativas estão alinhados aos valores e pilares culturais da organização para evitar desperdício de tempo.
Conclusão
O futuro da cadeia logística baseia-se na integração efetiva de dados, tecnologia acessível e conexão entre todos os elos do ecossistema. Superar os gargalos operacionais exige abandonar soluções isoladas, integrando indústrias, operadores e startups em torno de uma cultura voltada a gerar valor tangível e eficiência real.