Ecossistemas que conectam: colaboração para transformar conexões em oportunidades



Resumo executivo
O painel abordou como a articulação entre startups, universidades, governos, investidores e corporações pode transformar redes de contatos em oportunidades reais de negócios. Moderada por Natália Bertucci (Sebrae RS), a conversa contou com Daniele Cosme (vice-presidente da AGS) e Sérgio Finger (CEO da Trashin e diretor da AGS), que usaram a metáfora da 'receita de bolo' para demonstrar que ter todos os atores do ecossistema não é suficiente sem governança, ordem correta de atuação e respeito às maturidades de cada negócio.
Durante o debate, foram analisadas as sobreposições de iniciativas no ambiente de inovação e a necessidade de divisão clara de papéis entre hubs e aceleradoras, tomando como benchmarking o ecossistema de Santa Catarina pela complementaridade entre verticais. Os palestrantes defenderam a importância do alinhamento com as vocações territoriais regionais, como a economia azul no sul do Rio Grande do Sul ou a indústria metalmecânica em Joinville.
Por fim, examinaram-se as fortalezas do Rio Grande do Sul — como alta formação de capital humano (doutores) e grandes espaços de conexão como o Instituto Caldeira — e gargalos como a fuga de cérebros, a escassez de capital local e o conservadorismo corporativo. Como solução, defendeu-se a criação de pontes interestaduais, o desarmamento de egos em instâncias de governança e a prática de 'give back' por startups mais maduras.
Tópicos principais
- Governança e articulação do ecossistema: Ter todos os atores reunidos não gera resultados sem um recipiente adequado e ordem clara na esteira de desenvolvimento.
- Alinhamento às vocações regionais: Desenvolver verticais e programas focados nas competências econômicas e territoriais locais.
- Eliminação de sobreposições de programas: Organizar aceleradoras e hubs por especialidades para evitar concorrência desnecessária pelas mesmas startups.
- Benchmarking de Santa Catarina: Exemplo de ecossistema focado na complementaridade vertical em vez de criação de programas por rivalidade.
- Fortalezas do ecossistema gaúcho: Destacam-se a densidade de doutores, a tradição empreendedora e estruturas robustas como o Instituto Caldeira.
- Gargalos regionais e retenção de talentos: Necessidade de superar a fuga de capital humano, a lentidão nas vendas B2B locais e a dependência de investimentos do eixo SP-RJ.
Insights
Frases marcantes
"Seja interessado e interessante antes de ser interesseiro."— Daniele Cosme
"O ecossistema não pode ser um terrário. Tem que quebrar os terrários, para que vire um grande ecossistema e não só aquele micro ali."— Sérgio Finger
Aplicações práticas
- 1Promover mesas redondas de governança sem hierarquia rígida para desarmar egos e alinhar a divisão de papéis entre instituições.
- 2Mapear a maturidade real da startup antes de direcioná-la a fundos de capital de risco ou programas de inovação aberta corporativa.
- 3Especializar hubs de inovação e programas de aceleração por verticais temáticas alinhadas à economia local.
- 4Incentivar o 'give back' de empreendedores maduros para mentorar e guiar startups iniciantes ao longo da esteira de inovação.
- 5Construir parcerias entre associações regionais de startups para facilitar o acesso de empresas locais a novos mercados estaduais e nacionais.
Conclusão
O painel reforça que o sucesso de um ecossistema de inovação depende de colaboração genuína, coordenação por maturidade e visão complementar entre os atores. Superar vaidades institucionais e integrar vocações locais a redes nacionais são passos essenciais para transformar conexões em impacto econômico real.