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Tendências· Painel

Por que Joinville virou terreno fértil para inovação?

27 de agosto · 15:10–15:45Palco 8
Rogers Pereira
Rogers Pereira
Country Manager · Trusted
Lincoln Rezende
Lincoln Rezende
Relacionamento com o Ecossistema · ArcelorMittal
William Escher
William Escher
Secretário de Desenvolvimento Econômico · Prefeitura de Joinville
Fabiano Dell Agnolo
Fabiano Dell Agnolo
Diretor executivo · Ágora Tech Park
Joinville é polo industrial há décadas. Agora também virou polo de inovação: parque tecnológico, aceleradoras, startups compradas por empresas americanas e indústrias como a ArcelorMittal investindo em transformação digital. Poder público, ecossistema e indústria explicam juntos como isso aconteceu.
Sumário executivo

Resumo executivo

O painel abordou os fatores que transformaram Joinville em um dos ecossistemas de inovação mais maduros e promissores do Brasil, ancorado na colaboração efetiva entre as quatro hélices: poder público, universidade, indústria e sociedade civil. Rogers Pereira abriu o painel ressaltando que ter indústrias e conhecimento técnico não garante um ecossistema; o diferencial foi a conexão e o alinhamento de todos os atores em prol de uma direção comum de desenvolvimento econômico e social.

Representando o setor público, William Escher enfatizou a postura liberal do município, focado em desburocratizar a abertura de empresas, garantir segurança jurídica (como leis de ISS para fintechs e Sandbox) e atuar como comprador de soluções de startups via CPSI. No pilar acadêmico e científico, Fabiano Dell Agnolo destacou a importância de ir além de aplicativos e investir em ciência de base, na formação de professores empreendedores e em laboratórios abertos como o FabLab. Representando a indústria, Lincoln Rezende apresentou os resultados da ArcelorMittal em inovação aberta, demonstrando como grandes empresas geram valor ao conectar problemas reais a startups e ICTs.

Por fim, Rogers Pereira e os painelistas reforçaram que a verdadeira vantagem competitiva de Joinville apoia-se em sua histórica cultura associativista e em relações baseadas na confiança. Com governança integrada e métricas rigorosas, a cidade tem conseguido elevar a sobrevivência e o faturamento de suas startups, consolidando um ambiente altamente seguro e atrativo para novos investimentos.

Tópicos principais

  • Atuação governamental facilitadora: Foco em desburocratização, isenção de atos públicos para baixo risco, segurança jurídica para fintechs e compras públicas via CPSI.
  • Aposta em ciência de base e deep tech: Valorização da pesquisa aplicada e integração entre universidades e indústrias por meio de squads de pesquisadores.
  • Laboratórios e infraestrutura aberta: Disponibilização de ambientes como FabLab e laboratórios no AgoraTech Park para prototipagem e desenvolvimento de novos negócios.
  • Inovação aberta industrial: Grandes indústrias apresentando desafios reais e conectando startups para criar soluções escaláveis com alto índice de conversão.
  • Formação de talentos e cultura STEM: Estímulo a estudantes do ensino médio por meio de feiras de ciências e capacitação empreendedora voltada para professores universitários.
  • Governança integrada e associativismo: Cultura de cooperação e confiança mútua herdada do associativismo local, unindo entidades para otimizar esforços e recursos.

Insights

A verdadeira transformação empreendedora na academia começa na mudança de mentalidade dos professores; ao vivenciarem o empreendedorismo, eles naturalmente contagiam os alunos.
A escassez de profissionais em áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) é uma ameaça crítica para ecossistemas industriais, exigindo ações desde o ensino médio.
A competitividade de uma empresa depende diretamente das vantagens competitivas do ambiente onde ela está inserida, como disponibilidade de talentos, velocidade de validação e confiança nas relações.
O papel primário do governo para impulsionar startups é remover obstáculos burocráticos e agir como cliente qualificado contratando soluções tecnológicas.

Frases marcantes

"Nós somos um governo liberal que pensa que o Estado não pode atrapalhar."William Escher
"Se faltar engenheiro em Kixeramubim, no Ceará, pode ser um problema. Em Joinville, é uma tragédia."Rogers Pereira
"E a política, muitas vezes, é feita para ser vendida e não para gerar impacto."William Escher

Aplicações práticas

  1. 1Implementar rodadas de Compras Públicas de Soluções de Inovação (CPSI) para que o município injete recursos diretamente no ecossistema de startups.
  2. 2Criar programas de capacitação em empreendedorismo focados em professores das áreas de engenharia e tecnologia para renovar as metodologias de ensino.
  3. 3Promover feiras de ciências do ensino médio dentro de parques tecnológicos para aproximar jovens talentos do ecossistema de inovação.
  4. 4Estabelecer programas corporativos de inovação aberta baseados na validação por testes de conceito (POCs) com metas claras de industrialização.
  5. 5Formar um fórum mensal de governança sem CNPJ formal para alinhar agendas e evitar duplicação de eventos ou projetos na cidade.

Conclusão

O caso de Joinville demonstra que um ecossistema fértil para inovação surge da combinação entre desburocratização pública, força industrial, base científica sólida e associativismo comunitário. Ao priorizar a confiança e o alinhamento estratégico entre todos os atores da quad-hélice, a cidade constrói um ambiente sustentável e altamente atrativo para empreendedores e investidores.

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Sumário gerado e editado pela curadoria Sebrae Startups.
Publicado em 27 de agosto de 2026